sexta-feira, 1 de abril de 2011

Um turbilhão de emoções em 15 minutos!

“Estava apavorada”, recorda Cristiane dos Reis Pereira, técnica de enfermagem do Ambulatório de Infectologia. O medo da mulher, que procurou o Ambulatório para fazer o teste rápido da Aids, era tanto que passou os 15 minutos do teste se remoendo. Quando, enfim, chegou o resultado, de acordo com Cristiane, ela se jogou no chão. Ajoelhada, a mulher agradecia. “Era negativo, nossa! A pessoa ficou aliviada”, relembra. Depois de três meses, a mulher retornou para fazer um novo exame, devido à janela imunológica – período em que o vírus pode não se manifestar -, e novamente, o resultado foi negativo.De acordo com a profissional de Saúde, antes de realizar o teste é preciso fazer a abordagem, ou seja, conversar sobre a doença e tranquilizar a pessoa que o fará. “A maioria chega apavorado, a gente acalma, explica sobre a doença, sobre a hepatite, sífilis. Não é só a Aids, né?! Para quem chega apavorado, são os piores 15 minutos da vida dele”, afirma.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Por um sentido na vida

Paul Stenvenson é o único de nossos entrevistados que não segura as lágrimas enquanto nos conta sua história. Sua consciência pesa. Não por ter contraído o vírus, mas por tudo o que o vírus causou à sua vida. Tirou-lhe a mulher, fez com que seu filho fosse para um caminho obscuro e o tornou uma pessoa deprimida. É o que diz. Hoje quer encontrar o sentido da própria existência. A missão que tem nessa terra. Quem sabe não lhe ajudamos, Paul? E você nos ajuda. E a tantos outros. "

terça-feira, 29 de março de 2011

"Se elas querem fazer o livro delas, eu confio nelas"

Como agradecer suficientemente às pessoas que decidiram entregar suas histórias em nossas mãos sem ao menos nos conhecer? Aliás, como agradecer a todos que fizeram parte, direta ou indiretamente, do nosso trabalho? Aos profissionais de Saúde que dispuseram parte do seu tempo para nos esclarecer um pouco mais sobre a doença, aos agentes redutores de danos que compartilharam suas experiências conosco, aos portadores que expuseram tudo o que sentem, tudo o que viveram e que ainda vivem. À secretária de Saúde, Ana Lúcia, por abraçar a ideia conosco. À enfermeira Valéria, que, mais que qualquer outra pessoa, confiou em nosso trabalho e colocou a mão no fogo por nós. Era pela confiança que os pacientes têm nela que decidiam conversar conosco. E é porque ela garantia que nosso trabalho era sério que eles acreditavam que era. Como Elton, o portador-autor da frase do título. Por isso, sinceramente, muito obrigada. A todos vocês que, conosco, fazem parte deste livro.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Vítimas de si mesmo

Em fase de conclusão do livro, nos deparamos com verdades desconhecidas. Quando nos relatam suas histórias, nossos personagens evitam julgamento. Nos contam suas passagens de maneira superficial, eufemisada. Porque eles mesmos, na maior parte das vezes, penitenciam-se. Sabem da dor-culpa-vida que têm. E uma conversa com a profissional que lhes dá base, na maioria dos casos, faz com que abramos nossos olhos. E entendamos: eles são, sim, vítimas. Vítimas de si mesmo. Vítimas da falta de autoestima, da falta de amor próprio, das suas escolhas. E da culpa, que não os deixa descansar em paz.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Uma pequena prévia

Duplamente infectados
Maria Flor tem uma leveza no olhar. De fala mansa, voz ponderada, ela conta sua história com ressentimentos e certa dor. Dói em Maria Flor ser portadora, não por ela, mas pelo filho, que foi contaminado pelo HIV no nascimento. Da descoberta até hoje, passaram-se 12 anos. Anos de lutas, de idas e vindas a hospitais. Juntos, mãe e filho fazem o mesmo tratamento, na perspectiva de vidas melhores, e, até, de um milagre. Maria Flor acredita em milagres.

Os milagres a gente conta no livro. Em junho, o lançamento!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Um caso de amor

Quando conversamos, Elton mostrou ser forte. Para aguentar as suas dores e a de seu companheiro, Paul. É ele quem segura as pontas, quem aponta o caminho. Elton aprendeu, desde menino, que a vida não é fácil e ter coragem é saber enfrentá-la.
Ele enfrentou o preconceito de se assumir homossexual numa época onde o moralismo era muito maior. E enfrentou o preconceito de assumir ser portador de uma doença que dá medo, só de ouvir falar. Elton não a esconde, por mais que não a anuncie. Porque ele entende que amor se dá, independente de x ou y. Elton é um caso de amor, um dos mais lindos que conhecemos.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Um livro para mudar conceitos..

... os nossos



Quando começamos a pesquisar a história da Aids e entender um pouco mais, o que pensávamos é que com sorte, nosso livro serviria para orientar algumas pessoas. Mas na verdade, quem mais mudou fomos nós. A forma de ver a vida um pouco “cor de rosa” ficou para trás. Em seu lugar, provas de que a vida é mais forte que preconceitos, tristezas ou decepções. Como muitos, acreditava que o preconceito era uma coisa externa e no curto período desde a aprovação do projeto até agora, percebi que não existe como uma entidade única, mas sim em pequenas atitudes e medos. Aprendemos a conviver com a paranóia de que todos poder ter o vírus, descobrimos que é preciso cuidado e acima de tudo respeito com a vida. Tivemos o privilégio de compartilhar antigas mágoas e pequenos segredos, escondidos de pais, mães, maridos ou filhos. A cada página escrita, mais revelações, detalhes que esperamos que sejam tão produtivos para quem ler o livro como estão sendo para nós. E como disse uma das personagens da nossa história: "Só não corre riscos quem não vive".