sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Antônio. E José.

Hoje conhecemos um caso interessante. Nosso entrevistado adquiriu o vírus há 26 anos. Passou por quase todas as fases sociológicas da Aids, desde quando ela era praticamente desconhecida e que não se dividiam nem os copos, até hoje, onde o maior problema ainda é o preconceito. Começou o tratamento tarde, apenas em 91, em Londrina, porque aqui em Campo Mourão ele ainda não existia, e até hoje não desenvolveu a doença. Tem HIV, não Aids.
Adquiriu o vírus porque era usuário de drogas. Compartilhava seringa. Do grupo de 8 pessoas, todos foram contaminados por um que tinha, sabia, e não havia avisado. E, claro, usavam a mesma seringa. "Na hora você quer o barato, nem quer saber se a seringa é a mesma ou não", contou. Dos oito, ele é o único que se tem notícia. Alguns morreram em decorrência da doença, outros foram assassinados. Alguns, poucos, ele diz não saber se é vivo ou morto. Até sua primeira esposa, que contraiu a doença por uma relação 'desprevinida' com ele, faleceu. Ele a viu definhar, em cerca de um ano. E decidiu: não era isso que queria para si. Muito mais sorte que responsabilidade, ele vive bem. Largou as drogas há 4 anos, quando tinha 38. Porque conheceu sua segunda esposa e decidiu se casar. Recomeçar.
Como todos os nossos personagens, não vamos usar seu nome real. O fictício, ele pediu que escolhêssemos: ou Antônio, ou José. Assim como já dizia Renato Russo, queria um nome de santo. Que tenha dois, então, Antônio José.

Um comentário:

  1. É,e quando a gente acha que já viu de tudo. Vê um pouco mais...que ele continue com sorte.

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